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 omecei
a desenhar profissionalmente em 1969. Eu não tinha a menor
dúvida sobre o que queria fazer, já que desenhava desde pequeno,
incentivado principalmente pelo meu pai.
Naquela
época, eu havia conseguido um estágio no estúdio de
arte de uma agência de propaganda na Barão de Itapetininga,
no centro de São Paulo, que fazia principalmente varejo. As
ilustrações de produtos para os anúncios em jornal eram feitas
à mão, e o resultado era muito parecido com o foto-traço,
que ia ser usado nos anos seguintes.
No
mesmo ano iniciei meus estudos de desenho e pintura com o
artista plástico e diretor de arte italiano, Dante Embrione,
amigo de meu pai. Em alguns meses, acabei trabalhando em seu
estúdio, como um de seus assistentes. Criávamos embalagens,
folhetos, anúncios, displays. E fazíamos as ilustrações, além
de participar de todo o processo de produção, já que trabalhávamos
associados à uma grande gráfica, a Excelsior. Acompanhar o
processo de fotolito e impressão era fascinante. Desenhar
e acompanhar nosso trabalho até o final, já impresso, nos
fazia melhorar cada vez mais , principalmente a criação.
Trabalhavamos
muito com o aerógrafo, uma ferramenta que se libertava de
seu uso para retoque americano (nos anos 60, o aerógrafo era
usado quase que exclusivamente para retoque de fotos). Nos
EUA e no Japão surgiam grandes ilustradores que utilizavam
o aerógrafo de forma cada vez mais criativa, e ele acabou
virando a ferramenta da moda.
No
período de 1970 à 1974, eu ilustrava sem parar.
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1970
Lay out para
anúncio |
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1970
Ilustração para anúncio
aquarela
- 10x30cm |
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Do
estúdio de Dante, fui diretamente para o estúdio do
ilustrador Nairo Watson, que fazia ilustrações para a Cica
e algumas editoras. Nesse estúdio, cheguei a fazer cerca de
150 ilustrações para uma enciclopédia, misturando aquarela
e aerógrafo, além de algumas embalagens da Cica.
Em 1972, fui trabalhar como diretor de arte no atelier do
artista plástico Fukuda, que tinha um trabalho comercial voltado
para a produção de catálogos, folhetos e malas diretas. Fukuda
era afilhado de Manabu Mabe, e um pintor abstracionista por
excelência. A pintura abstrata, como não poderia deixar de
acontecer, começou a me fascinar nessa época.
Era
uma época em que tudo tinha que ser ilustrado, as agências
tinham lay out man, past up, os marcadores de letra, etc.
Assim, nos anos seguintes, apesar de trabalhar como diretor
de arte em várias agências de propaganda eu sempre acabava
dando um jeito de desenhar, de lay outs à arte final.
No
início de 1975 fui para a Editora Abril fazer o projeto gráfico
e a direção de arte de um novo veículo, uma publicação voltada
exclusivamente para o mercado de moda. Era o Noticiário da
Moda.
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1976
Capas de Noticiário da Moda |
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Foi
uma época fantástica. A Editora Abril é um imenso parque gráfico,
e acaba sendo, forçosamente, uma escola poderosa para quem
trabalha nela.
Em 1976, trabalhávamos com os melhores fotógrafos de moda,
como Trípoli, Chico Aragão, Fernando Louza. O mercado de moda
estava em ascendência. Fazíamos a revista com um cuidado
enorme. A influência das publicações francesas
era grande, principalmente da Depèchè, muito criativa graficamente.
A assessoria da NM era feita por Fernando de Barros e a revista
era dirigida por Thomaz Souto Correa.
Paralelamente
ao trabalho de direção de arte na área editorial eu continuava
a ilustrar e criar para a área comercial da revista. Meu estúdio,
para isso, começou na minha própria casa. Eu criava e produzia
como free lance uma parte dos anúncios que seriam veiculados
na NM. Com o tempo o estúdio passou a ter uma quantidade enorme
de trabalho e veiculávamos em quase todas as outras publicações
de moda da Abril, como Cláudia, Cláudia Moda, a seção fashion
da Playboy, etc.
Em
77 saí da Abril e transformei meu estúdio em agência, a Lapix
de Propaganda, para atender especialmente esse segmento do
mercado - o das confecções - que crescia cada vez mais. Atendíamos
clientes como a Hoechst do Brasil (a marca de fios Trevira),
Gledson, Ellus, Zoomp, Triton, e mais uma série de marcas,
que apareciam à cada momento.
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1977
Um dos primeiros anúncios da Zoomp,
criado e ilustrado por Marco Angeli,
em aquarela/lápis de cor e colagem.
O design do logotipo apareceu somente
nesta série de peças (cartaz, anúncio,
display). |
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1977
Estudo de nome e logotipo para revista
de moda, não publicada. |
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Pela
novidade - uma agência de propaganda voltada só para o mercado
de moda- fazíamos sucesso. No entanto, para mim, como responsável
pela àrea de criação, era um sucesso estressante. Eu quase
não desenhava mais e tinha um projeto de pintura que era adiado
infindávelmente.
Nessa
época eu fazia algumas ilustrações para matérias da Playboy
e começava a ilustrar as capas da antiga revista Interview
- foram umas 25 - e era um trabalho gratificante. A Interview
original, publicada nos EUA, era de Andy Warhol e tinha seu
estilo. Eu admirava o trabalho de Warhol, e a publicação brasileira,
dirigida pelo Cláudio Schleder e Richard Raillet, seguia a
mesma linha gráfica, inclusive no formato, maior que o convencional.
Além disso eu aplicava nas capas uma técnica muito antiga,
usada por fotógrafos, que era a de aplicar cor sobre fotos
branco e preto, que meu pai me havia ensinado, quando pequeno.
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Capas
de Interview.
A da direita é a Princesa Stephanie de Mônaco.
As ilustrações foram feitas em ecoline,
aerógrafo
e caneta hidrográfica. |
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Mais
ainda, nestas capas eu misturava várias técnicas, que iam
do aerógrafo á colagem. Outros artistas como Zaragoza, Newton
Mesquita, Rodolfo Vanni, Cláudio Tozzi e o próprio Richard
Raillet também faziam as capas de Interview. Alguns anos mais
tarde os originais destas capas foram expostos numa mostra
na Galeria José Duarte de Aguiar.
Em
1979, desisti finalmente da agência.
À
partir daí comecei a trabalhar de uma maneira mais simples,
como profissional de criação, prestando serviços principalmente
para agências de propaganda.
Em
1980, como resultado natural deste processo, surgiu o studio
Angeli.
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Marco
Angeli |
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