m 1982 pintei uma série de retratos de São Paulo. Foram pinturas encomendadas e tinham que mostrar a cidade mais ou menos na virada do século (1900). Conseguimos acesso ao arquivo da extinta Light, que acabou nos fornecendo centenas de imagens da cidade. A Light, companhia inglesa, registrou continuamente todo o período em que esteve no Brasil.
Comecei a perceber, observando São Paulo antigo, que aquelas imagens não eram apenas um retrato da arquitetura, nem poderiam ser. A cidade tinha uma alma, era um espelho monumental das pessoas que ocasionalmente apareciam aqui e ali num cantinho da foto, ou olhando diretamente para a câmera.
A paisagem urbana tem identidade, uma espécie de impressão digital que está presente em seus edifícios, jardins, praças e nas pessoas. A arquitetura acaba expressando uma imagem perfeita do homem e de sua vida.
Grandes artistas que eu admirava na época, como Edward Hopper ou Saul Steinberg conseguiram captar justamente essa alma, e seu trabalho, mais do que simplesmente um registro, era fascinante. Hopper, especialmente, conseguiu transformar em poesia as cenas das pequenas cidades dos Estados Unidos que pintou durante toda sua vida. O homem pode ou não estar presente em suas pinturas, mas mesmo onde ele não aparece a sua presença é forte, marcante, através de sua atuação sobre a natureza.
Foi em 1989 que senti realmente a dificuldade desse tipo de trabalho quando resolvi pintar uma série sobre a madrugada de São Paulo que mais tarde seria exposta.
Foi o tempo em que se construía o Metro na Av. Paulista, e o que me fascinava eram as madrugadas, o silêncio das avenidas e sua luz completamente artificial.
Isso era uma sensação. E pintar uma sensação, a minha - figurativamente - foi um trabalho que se revelou quase impossível. Eu não queria apenas os viadutos, os edifícios, os reflexos das luzes, eu queria a solidão, o frio, a beleza e a crueldade daquela cidade que fingia dormir.
Acabei me concentrando quase que totalmente na Avenida Paulista. Filmei, fotografei e fiz alguns esboços lá mesmo.
Essas obras foram exposta em 1990. Algumas delas foram adquiridas pelo McDonald's e estão hoje na própria avenida, no Shopping Paulista.
Hoje estamos fazendo os McCafés, onde coloco pinturas das cidades onde estão as lojas. Em São Paulo existem retratos da cidade nas lojas da avenida Henrique Schaumannn e da avenida Paulista. Existem pinturas também em Porto Alegre e Caxias do Sul.
Pela reação que obtive das pessoas - ligadas ou não ao trabalho - acho que consegui pelo menos em parte, retratar aquela impressão digital que cada cidade tem, e é única.

    Marco Angeli
Fevereiro de 2001
 
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Paulista/Emilio Ribas - 1989
110 x112 cm
  Av. Paulista - 1989
100 x 100 cm
  Av. Paulista - 1989
110 x 110 cm
   
Centro de São Paulo - 1900
120 x 90 cm
  Centro de São Paulo - 1900
120 x 90 cm
  Centro de São Paulo - 1900
120 x 90 cm
 
 
São Paulo/SP
130 x 110
cm
  Ouro Preto/MG
130 x 110
cm
  Brasilia/DF
130 x 110
cm
 
Pinturas feitas para as lojas Mc Café em 2000:
 
 
  Porto Alegre/RS - 270 x 100 cm  
     
     
  Protótipo de loja - 270 x 100 cm   Protótipo de loja - 270 x 100 cm  
       
     
Protótipo de loja - Detalhe
  Protótipo de loja - Detalhe      
 
Estudos feitos para as lojas Mc Café em 2000:
 
   

Cinelândia/RJ - 1950 Cinelândia/RJ - 1950
     
     
  Embarque de Café, Porto de Santos/SP - 1902   Embarque de Café, Porto de Santos/SP  
         
     
  Avenida Paulista/SP   Porto Alegre/RS  
   
   
  Sào Paulo/SP  
       
     
  Porto Alegre/RS   Trianon/SP  
     
   
  Rua 15 de Novembro/SP - 1950   Viaduto Jacareí/SP - 1950
 
   
  Rua Líbero Badaró/SP - 1945