Justiça brasileira: bandido bom é bandido na rua.

Pizza de calabresa ou STJ?

Alexandre Nardoni, o monstro que, após espancar sua própria filha, a menina Isabella -de cinco anos- a atirou do sexto andar de seu apartamento na Vila Guilherme deve voltar às ruas em regime de prisão semiaberto.

Condenado a mais de 30 anos de jaula pelo crime, o assassino conseguiu o benefício em abril deste ano, passou 4 meses na rua e voltou pra cadeia, graças ao Tribunal de Justiça de São Paulo que revogou a decisão.

Na época, o pedido para que voltasse a ficar trancafiado em regime fechado foi feito pelo Ministério Público de São Paulo, que ainda exigiu nova avaliação psicológica do indivíduo.

Nardoni voltou pra jaula.

Ontem, em decisão do STJ, o ministro Ribeiro Dantas resolveu placidamente voltar a colocar o monstro em semiaberto, ‘considerando seu bom comportamento, ausência de faltas disciplinares e o fato de ter sido favorável o exame psiquiátrico’.

Laudo antigo, já que o ministro sequer considerou a possibilidade de nova avaliação, conforme pedido do MP, que avisou, em seu parecer, que Nardoni não deveria ser solto, por se tratar de ‘crime hediondo, verdadeiramente nefasto…’

Nada disso pesou na decisão do ilustre magistrado -nem o mínimo de bom senso- que, tendo a função de proteger a sociedade, a expõe agora à convivência com um psicopata cruel desse naipe.

Pesou muito menos, num caso dessa gravidade, o fato de que o regime semiaberto jamais funcionou para recuperar ninguém.

Pelo contrário, estamos carecas de saber de casos de criminosos ou assassinos que, voltando às ruas, voltam a cometer o mesmo crime em apenas alguns dias.

Exaustivamente criticada pela sociedade e perdendo a credibilidade a cada dia que passa, a justiça brasileira vira uma caricatura invertida de si própria, vista como defensora da impunidade e uma máquina de soltar bandido.

A velha máxima de que tudo neste país ‘acabava em pizza’ sofreu um update, se transformou em ‘tudo acaba no STF ou STJ’.

Já que não podem mudar o conceito de que a lei vale igualmente para todo cidadão, acabam aplicando indiscriminadamente decisões surrealistas criadas para soltar amigos criminosos e ricos em toda a classe de criminosos.

Foi assim com a decisão de Toffoli para livrar a cara de suas esposa e da de Gilmar Mendes, canetada que afetou mais de 700 processos.

Assim, na insanidade desses juízes lenientes, tudo se mistura: políticos processados, empresários corruptos, bandidos pé de chinelo, assassinos de crianças…

A todos essa ‘justiça da pizza’ serve.

Só não serve a quem é honesto, paga impostos e considera, acertadamente, que monstros como Nardoni deveriam ser isolados do convívio social para sempre.

Uma nação com esse tipo de justiça não é uma sociedade civilizada.

É uma tribo, sujeita à lei do mais forte.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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