Historinha pra Carmem dormir

Histórias de injustiça que são corriqueiras e deveriam estar na pauta- e nas mentes- dos ilustres do STF

Maria Luíza do Nascimento é uma ex catadora de lixo de Pernambuco.

Em 2012, Maria Luíza processou o Estado de Pernambuco.

Motivo: um fato corriqueiro em todo o Brasil.

Seu filho, Alcides do Nascimento Lins foi assassinado em 5 de fevereiro de 2010 por um sacripanta que havia fugido da prisão e estava nas ruas.

O assassino, João Guilherme Nunes, no dia, procurava o vizinho do rapaz, mas, para ‘não perder a viagem’ acabou com a vida de Alcides.

Acontece que o filho da ex catadora de lixo era universitário, e um exemplo na comunidade para pessoas de origem humilde.

Alcides havia passado no difícil exame da Universidade Federal de Pernambuco, prestando para biomedicina, em primeiro lugar.

Em 2012, alegando que o Estado havia sido omisso em seu dever de segurança, a mãe do rapaz pediu uma pensão vitalícia de 3,5 mil reais por mês.

O assassino foi condenado a 25 anos de prisão e deve estar por aí, solto.

E hoje, o Tribunal de Justiça de Pernambuco, após sete longos anos, negou o pedido de Maria Luíza.

Para sorte (?) de Carmem e seus dez companheiros do olimpo, o caso não tem nada a ver com ela.

Ou será que tem?

Daqui a um ou dois anos, quantos crimes como esse, e até mais perversos, terão sido cometidos pelos criminosos que ela colocou na rua hoje?

Serão -na mais otimista das hipóteses, cerca de 4000.

E quem é que vai, no futuro, compensar e consolar as Marias Luízas, que terão perdido filhos, maridos e parentes para o crime?

Não será você que as consolará, Carmem.

Mesmo porque não é de você que elas precisarão.

Precisarão da justiça que você e seus coleguinhas negaram.

*Fonte: SensoIncomum

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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