Paraisópolis: um barril de pólvora

Confusão em baile funk no domingo, em São Paulo: nove pessoas mortas

No dia 1 de novembro, o sargento da Força Tática Ronaldo Ruas Silva foi morto em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, durante uma abordagem.

Ruas tinha 52 anos e 31 de carreira na PM, e deixou três filhos.

Segundo a polícia, quem atirou contra os policiais foi Igor Gregório da Silva, que não voltou à penitenciária depois de uma saidinha.

Igor cumpria pena por roubo e tráfico de drogas.

Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo, e é uma estranha mistura.

São 100 mil habitantes que sofrem com a pobreza, falta de saneamento básico e tráfico de drogas cercados por edifícios de alto padrão, shoppings e hipermercados.

Duas realidades diferentes que convivem na mesma região, cenário explícito da desigualdade social brasileira.

Paraisópolis é também um enorme barril de pólvora sempre prestes a explodir.

Dois dias depois da morte do sargento, a polícia realizou na região a Operação Saturação, e apreendeu 135 quilos de cocaína.

A megaoperação iniciada não tinha prazo para terminar e visava coibir a criminalidade e o tráfico de drogas na comunidade de 10 km quadrados.

A operação acabou afetando a vida dos moradores que já sofriam com os bailes funk que chegavam a reunir 30 mil pessoas, com aparelhos potentes de som.

A festa ocorria frequentemente de quinta a noite até domingo.

No último domingo (1), finalmente, aconteceu o inevitável: nove pessoas foram pisoteadas e mortas num baile funk que reunia cerca de 5 mil pessoas.

A confusão aconteceu durante uma ação da polícia perseguindo criminosos que atiraram contra os militares e se misturaram à multidão.

Esse tipo de tragédia, um prato cheio para os defensores dos Direitos dos Manos, gera agora a polêmica esperada, e os esperados ataques à polícia.

Na ação, duas viaturas da PM foram depredadas, e a polícia usou munição química.

Não houve disparos da polícia.

As vítimas morreram pisoteadas, quando corriam em pânico depois de um tiro disparado por alguém no meio da multidão.

A versão dos que atacam a polícia é a de que houve uma ‘emboscada da PM’.O argumento, vago, não consegue explicar porque a polícia criaria a tal emboscada, já que não houve sequer um tiro disparado por policiais.

O fato é que tem que haver, nos próximos anos, um cuidado especial do estado para com essas comunidades em todo o Brasil.

Além da criação de condições para dar assistência aos moradores, como estrutura e saneamento básicos, educação, etc, é preciso combater e coibir o tráfico de drogas que é um verdadeiro pesadelo para as pessoas de bem que ali moram.

O que significa também equipar, proteger e dar condições à polícia para fazer seu trabalho.

É justamente em regiões pobres como essa que o tráfico se instala e cresce.

Isso não pode, entretanto, ser feito com violência indiscriminada, que acabam fatalmente causando a morte de inocentes.

Se nada for feito efetivamente, Paraisópolis vai explodir novamente.

E outras explodirão.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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