A dança dos ratos

Proposta insultuosa de deputados quer dobrar o fundo eleitoral

Basta ser brasileiro, ter RG e pagar imposto para saber que a classe política é odiada, de forma geral, por todo cidadão decente.

Nem precisa ser muito esperto pra isso, é só observar o descrédito absoluto, talvez o mais baixo da história, em que chafurdam esses deploráveis personagens de Brasília, alienados das reais necessidades dos que lhe deram votos.

Exceções existem, claro, mas são a minoria absoluta.

Olhem os deputados, por exemplo.

Como toda entidade pública que depende de voto, fazem média até a página 2.

Quando se trata de votar os próprios benefícios, a coisa muda de figura.

Gananciosos, oportunistas e incompetentes em lutar pela sociedade que os elegeu e paga seus salários, quando enxergam a chance de meter a mão em grana que não é sua enlouquecem, esquecem tudo.

Uma verdadeira dança de ratos famintos.

A festa acaba de começar nesta terça, quando o deputado Domingos Neto (PSD-CE) finalizou a proposta que vai destinar 3,8 bilhões de reais para as inúteis campanhas eleitorais de 2020.

É um aumento de mais de 120% em relação ao ano passado.

Isso num país em que o presidente foi eleito praticamente sem dinheiro algum aplicado em campanha.

Nem é preciso lembrar que essa grana, integralmente, vem do Tesouro.

Grana pública.

Por trás dessa vergonha estão Gilberto Kassab, presidente do PSD e Paulinho da Força, do Solidariedade.

Ambos conspiram pra meter a mão em mais 1,8 bilhões, além dos 1,7 de 2018.

Com absoluto descaramento, Domingos, o relator, afirmou candidamente que os tais recursos não serão retirados da saúde ou educação.

Se os recursos são públicos -do povo, portanto- como não afetar e fazer falta nos investimentos em saúde ou educação?

Ou vão sair da cartola de algum mágico picareta?

Na mão desse cara de pau, quase se vê o carimbo de otário que pretende colocar na testa de todo cidadão que sua neste país.

E não é só.

Além dessa grana, existe o fundo partidário, outra lambança composta por dotações orçamentárias da União ‘para garantir o financiamento dos partidos.’

O valor é de cerca de 888 milhões de reais.

Soma-se a isso o prejuízo de 1 bilhão aos cofres públicos em 2018 com grana paga em campanhas partidárias em rádios e TVs.

A politicalha abusa.

Cazuza, prevendo o passado, o presente e o futuro: piscina ou câmara de ratos?

Paulo Guedes e sua equipe lutaram para que não houvesse o aumento.

Trechos da reforma foram vetados por Bolsonaro, mas o Congresso acabou derrubando tudo na semana passada, numa prova inequívoca da alienação desses gajos.

Justiça sendo feita, é preciso reconhecer os que foram contra esse aumento e recorrerão, como Marcel Van Hattem, do RS.

Junto com ele, apenas o Cidadania, Novo, Rede, Podemos e PSOL se posicionaram contra a infame proposta, entendendo o enorme prejuízo que causará à credibilidade desse bando de abutres, num país que odeia propaganda partidária.

Campanhas que, aliás, só existem e torram grana para divulgar promessas e mentiras que jamais serão cumpridas, de acordo com a cartilha desses incompetentes.

A proposta ainda deve ser aprovada pela Comissão Mista de Orçamento e pelo Congresso.

É o momento de lembrar que alimentar ratazanas só causa mesmo a proliferação da espécie.

Que é tudo o que Brasil não precisa.

De ratos.

Em breve, a continuar assim a piscina já cheia de ratos vai acabar transbordando.

Como diria Cazuza.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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