A história por trás da História -primeira parte

Junia Turra: Pedro Aleixo, grande jurista de correção impecável

Pedro Aleixo, era um grande jurista, e de uma correção impecável.

Um homem brilhante e íntegro que esteve a frente do Congresso representando o povo brasileiro e poderia ter dado ao Brasil um outro caminho se tivesse ele assumido a Presidência do Brasil

Um democrata , vice-presidente no governo Costa e Silva.

Como determina a lei , com a morte do presidente , deveria ter assumido.

Mas houve o aparelhamento por determinado grupo de militares e a coisa tomou outro rumo.

O AI-5 não era necessário.

Militares e civis sabiam disso.

Pedro Aleixo negou-se a assinar aquele Ato Institucional.

Disse que jamais calaria a voz do povo, jamais agiria contra a democracia.

Fez o certo.

Acima da vaidade pelo poder.

E foi aí que instalou-se, sim, o golpe.

13 de dezembro de 1968: o governo de Costa e Silva baixa o AI-5

O Brasil poderia ter sido naquele momento reconduzido à Democracia plena.

Mas ali a coisa começou a ser outra.

Até na Educação, quando tiraram o Latim do ensino Médio e depois até das faculdades de Direito junto com o Direito Romano.

E passaram a distribuir concessões de rádio e TV para coronéis como ACM, José Sarney , Maluf e tantos outros .

E Eliezer Batista, Ministro das Minas e Energia no governo João Goulart - que tanto Costa e Silva quanto Pedro Aleixo consideravam um sujeito nada confiável - foi convidado de honra por João Batista Figueiredo para ser presidente da Vale do Rio Doce.

Eliezer , a quem Castelo Branco indicou emprego em empresa privada de mineração, já que não tinha respaldo para colocar no governo, mapeou as riquezas do país e entregou ao filho Eike Batista, que preferiu negociar o mapa da mina e viver como nababo. Pisou em falso.

Verdade seja dita

Também foram os militares que alavancaram a Rede Globo, a emissora amiga que se beneficiou do poder e aprendeu a usar e abusar das vantagens e a criar esquemas de uso do dinheiro público em barganha com o poder.

Qual a dúvida?

Ou seria possível comparar o brilhantismo e o preparo de um jurista do porte de Pedro Aleixo com um presidente tosco e despreparado como o general Figueiredo, que, lá na frente, no caminho plantado por certos militares, garantiu a ascensão de sanguessugas de péssima índole e nenhuma capacidade?

Vamos dar nomes aos sanguessugas:

FHC - que nunca foi exilado, porque o parente próximo era da cúpula militar - e o outro, Lula da Silva, o falastrão pelego que seguia os passos do irmão mais velho no sindicalismo.

E com eles veio a leva de oportunistas de toda ordem e estabeleceu-se a troca de um ideal de oportunidades para todos pelo ideal do poder e das vantagens ilícitas da esquerda radical e criminosa.

Integridade

Pedro Aleixo era tão íntegro que quando estava a frente do Congresso Nacional e o filho dele José Carlos, que estudava em seminário jesuíta no exterior foi ordenado padre, Pedro Aleixo viajou com a esposa e pediu licença formal para a viagem.

Quando retornou ao Brasil viu que recebeu pagamento integral e verificou que tinha valores a mais.

Foi ao departamento responsável em Brasília, perguntar do que se tratava.

Além do pagamento integral, sem desconto dos dias em que se afastou, havia verbas extras de viagem e hospedagem.

Pediu que fosse revisto porque ia devolver o dinheiro corrigido.

Ouviu do chefe do departamento que ele deixasse como estava , pois a justificativa era a de que viajou para "representar o país"e que a figura dele no exterior representava o Brasil.

Pedro Aleixo então disse:

-"Não, eu estava lá para abraçar e parabenizar meu filho, pai que abraça com orgulho e amor o seu filho.

O custo da viagem é pessoal e não do povo brasileiro.

Peço desculpas por ter me afastado do país nesses dias e o dinheiro retornará aos cofres públicos".

Lá na raiz

Pedro Aleixo é natural de Passagem de Mariana.

O sobrado onde nasceu virou museu.

O pai dele, José Caetano, comprou um casarão, que tinha na parte de baixo o "armazém" ou "venda" Aleixo. Assim surgiu o nome da família. Mas suspeita-se que o sobrenome era originalmente italiano "José Caetano" , de "Caetani" e virou "José Caetano Aleixo".

Quando virou museu, na data oficial, houve missa na Catedral de Mariana e a inauguração no local.

Saí de São Paulo e fui à solenidade

Me acompanhou na empreitada, me buscando no aeroporto e me contando histórias da História, o grande Djalma Gomes, jornalista investigativo, correspondente internacional , com família quatrocentona da mesma Mariana e que me ensinou os primeiros passos da "investigação além da investigação".

E segue a História

A família Aleixo se mudou de Passagem de Mariana para a Praça Antônio Dias, 80, em Ouro Preto.

Ao lado da Matriz, próximo à praça principal da antiga Vila Rica.

A construção do século XVIII é um sobrado de dois pavimentos, localizada em uma das primeiras ruelas de Ouro Preto.

Lá funcionou a Fundação Guignard e a casa foi doada à Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP). Atualmente no imóvel, funciona a Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade e a sede do Memorial do Presidente Pedro Aleixo.

O grande Pedro

Pedro Aleixo, foi proibido pelos militares de exercer qualquer atividade política. Passou a fumar absurdamente , morreu de desgosto e tristeza. Não enriqueceu na Politica. A casa em que residia em Belo Horizonte, projeto de Oscar Niemeyer, ele deixou em usufruto para a mulher, mas doou para fundação que atendesse menores carentes.

Nenhum dinheiro no exterior, nada em cofres de banco, nenhuma peça retirada do patrimônio público.

Patrimônio conquistado como grande advogado e jurista.

Pedro Aleixo X Juscelino Kubitschek

Naquele tempo, Juscelino Kubitschek era oposição política a Pedro Aleixo .

Os partidos PSD e UDN.

Polos opostos na política mas ambos queriam sim o melhor para o povo e o país. Tinha , cada qual os seus princípios e ideais.

Juscelino , como Pedro Aleixo, não deixou patrimônio milionário a herdeiros.

Eram grandes amigos e "compadres": padrinhos dos filhos um do outro.

Bons tempos....

Continua: veja a segunda parte aqui

Junia Turra

jornalista

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