A história por trás da História -segunda parte

Junia Turra: Pedro Aleixo, grande jurista de correção impecável

Os Natais

Juscelino e a família tinham endereço certo de encontro no Natal : a casa da rua Paracatu, 747, em Belo Horizonte.

Lá dona Ursula Aleixo , mãe do Pedro, morava com a filha e a família dela. Ursula , apelidada de Iaiá, a mais nova e única irmã dele.

Ao todo eram 7 filhos filhos. Antonio e João do primeiro casamento do pai que ,viúvo, casou-se com Ursula Maria, e vieram Lindolfo, Josefino, Pedro , Alberto e Úrsula.

E onde eu entro nessa história?

Paulo, o filho da irmã mais nova de Pedro Aleixo era muito querido pelo tio e desde pequeno admirava a maneira carinhosa e suave dele , mas ao mesmo tempo eloquente e determinado.

Assim como Milton Campos , Pedro e Paulo estudaram Direito na "Vetusta" , a Casa de Afonso Pena.

Na formatura dele, Paulo , lá estava o tio na primeira fila a aplaudi-lo. A ele deu a caneta pessoal, o anel de formatura , uma coleção de Direito Penal e o convite: "o seu lugar no meu escritório está garantido".

O sobrinho agradeceu. Passou em todos os concursos públicos, fez cinco doutorados.

O tempo passou.

E lá estava o Paulo, jornalista , radialista, professor , advogado, juiz de Direito, desembargador , sobrinho do jornalista, professor, advogado, presidente da câmara dos deputados em Brasília, ministro da educação e vice_presidente da República , o jurista Pedro Aleixo, me entregando aquela caneta , o anel , a coleção de livros e me oferecendo ajuda para eu seguir o caminho do Direito.

Mas eu preferi seguir o meu próprio caminho onde a Justiça pudesse ser buscada de forma mais ampla, além da arrogância de muitos que ao contrário de Pedro e Paulo não entendem que são apenas servidores do povo.

Quis ir além da letra fria da lei que dá lugar a interpretações de viés político de certos grupos e Cortes de Justiça.

Quanto ao irmão Alberto, não se sabia ao certo onde estava.

Não se falava dele .

Era uma tristeza para a mãe idosa.

A família de Alberto Aleixo recebeu o direito a indenização por ter sido torturado e morto.

Mas, valor muito pequeno.

Bem distinto do que o advogado do PT Eduardo Greenhalgh conseguiu para muitos da turma.

Alberto era comunista e achava que iria melhorar o mundo.

Quando a mãe morreu procurou os irmãos para oferecer a parte dele na herança.

Ninguém quis comprar. Maurício, filho do Pedro disse que só podia pagar 4 mil , valor abaixo do real .

Alberto disse que precisava só de 3 mil.

Não queria o restante.

Era o suficiente para a gráfica e para circular o jornal de esquerda no Rio de Janeiro.

Alberto foi preso, torturado.

Já de idade e debilitado pediram que permitissem ser transferido .

Foi negado pelo juiz .

Alberto morreu pouco depois no hospital.

A família dele nunca recebeu valores como os pagos a Ziraldo e Lula, que nunca levaram um tapa na cara dos militares.

E nunca sofreram nos porões da ditadura.

A Justiça tarda mas não falha

A Justiça foi feita : Pedro Aleixo reconhecido como Presidente do Brasil.

O retrato na galeria dos presidentes em Brasília.

A carta oficial , meu pai também recebeu e está guardada.

A caneta e o anel dados a mim foram retirados de cena como aquele Cristo barroco que Lula e Marisa surrupiaram do Alvorada.

No meu caso , a autoria também é inquestionável.

Foi "Caim".

Mas anel e caneta não garantem a ninguém SER como Pedro ou Paulo.

E nem assinar Aleixo.

Por falar em assinar....

Com Assis Chateaubriand , Pedro Aleixo fundou os Diários e Emissoras Associados.

Tancredo Neves e Pedro Aleixo, 1961/1962. Foto CPDOC/FGV

Eu estudava Direito, Belas Artes e Jornalismo.

Ao mesmo tempo, full time!

Depois passei a fazer o jornal da Faculdade de Direito - era o meu laboratório (virei Diretora de Imprensa de todas as chapas políticas , meu negócio era a notícia.

Eu fazia tudo, de charge a fotografia).

E passei em concurso para a Judiciário.

E corri atrás: " oi , o jornal da Amagis precisa de uma repaginada".

Fiz um exemplar e aprovaram .

Passei a fazer o jornal da Amagis (Associação dos Magistrados) .

E .... veio o convite da família que quando eu me formasse poderia escolher o lugar em certo jornal porque eu tinha talento e já fazia um bom trabalho.

Mas , eu era estudante....

E pensei: vão sempre dizer por maior que seja o meu mérito que foi pelo nome de família.

Pronto!

Passei a usar o sobrenome italiano.

E tenho pelo menos três primas com o mesmo nome.

Resolvido.

E por fim.....

O grande Pedro.

Ele lutava por democracia, por liberdade de expressão.

Não lutava por questão de gênero, por pedofilia, por sexualização de crianças, nem contra a Igreja, contra a cultura brasileira, a tradição judaico-cristã.

Ele não queria queimar museus, não queria benefícios e auxílios para poder representar o povo.

Certa vez colocou o filho Sérgio como assessor dele em Brasília , para economizar para o povo.

Sergio não recebia nada.

Pedro Aleixo era um homem brilhante e íntegro.

Além de tudo tinha um grande texto.

E honrava a palavra.

A apavora dele era de honra .

Ao meu tio Pedro, o abraço que faltou!

E a honra de ser sua sobrinha neta e nem precisar assinar o mesmo sobrenome para provar isso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Ao belíssimo trabalho de pesquisa da BBC, que apresentou Jornalismo como nos grandes tempos, aqueles tempos que eu só ouvi dizer nas histórias que ouvi.

À Bebel Faria de Oliveira que me enviou o link e a todos os meus amigos e às famílias deles cuja História do país se mistura com a História de empenho, dedicação, mérito , esforço , princípios de família e sociedade. Tudo isso que não vamos deixar se perder.

Desde os Alpes até o glorioso Reino da Mantiqueira de onde vemos o horizonte infinito.

Veja aqui a primeira parte desta matéria

Junia Turra

jornalista

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