O homem do violino

Maria João Sacagami: o que estamos perdendo?

Um homem sentou-se numa estação de metro de Washington DC e começou a tocar violino, uma fria manhã de janeiro; ele tocou seis peças de Bach durante aproximadamente 45 minutos.

Durante esse tempo, já que era hora de pico, calcula-se que cerca de 1,100 pessoas atravessaram a estação, a sua maioria, a caminho do trabalho.

Três minutos se passaram quando um homem de meia idade notou o músico, abrandou o passo e parou por alguns segundos, mas continuou depois o seu percurso para não chegar atrasado.

Um minuto depois , o violinista recebeu o seu primeiro dólar, uma senhora atirou o dinheiro sem sequer parar e continuou o seu caminho.

Alguns minutos depois, alguém se encostou à parede para ouvir, mas olhando para o relógio retomou a marcha.

Estava claramente atrasado para o trabalho.

Quem prestou maior atenção foi um menino de 3 anos.

A mãe trazia-o pela mão, apressada, mas a criança parou para olhar para o violinista.

Finalmente, a mãe puxou-o com mais força e o menino continuou a andar, virando a cabeça várias vezes para ver o violinista.

Esta ação foi repetida por várias outras crianças.

Todos os pais, sem exceção, obrigaram as crianças a prosseguir.

Quando ele parou de tocar e o silencio tomou conta do lugar, ninguém se deu conta.

Ninguém aplaudiu, nem houve qualquer tipo de reconhecimento.

Ninguém sabia que este violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo.

Ele tocou algumas das peças mais elaboradas já escritas num violino de 3,5 milhões de dólares.

A questão é: num lugar comum, numa hora inapropriada somos capazes de perceber a beleza?

Paramos para apreciá-la?

Reconhecemos o talento num contexto inesperado?

Quantas outras coisas estaremos perdendo?

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