O SANTINHO DO PAU OCO

Por Dirceu Pio

Crime é crime, polícia é polícia e as instâncias federativas devem ser respeitadas, desde que atendido o interesse maior da sociedade.

Digo isso para mostrar, em detalhes, que falta patriotismo ao ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, o que ficou escancarado com seu pedido de demissão em plena Pandemia !

Com seu gesto, ao mesmo tempo intempestivo e ardiloso, espécie de tentativa de dar o xeque-mate no presidente que o colocou no cargo, só fez dar mais uma prova de seu desprezo pelo interesse público !

Há vários precedentes. Nem vou me referir a tantos outros do passado mais remoto.

A PRISÃO DE RENAN

Fiquemos com a prisão pela Lava Jato – ele, juiz da força-tarefa – do dono Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto em maio de 2015.

Ronan, antes de comprar o jornal, ainda como empresário do setor de transporte na região-berço do PT, foi acusado de ser um dos mandantes do assassinato do prefeito de Santo André, o petista Celso Daniel, e mais nove testemunhas (janeiro de 2002).

A prisão do empresário gerou forte expectativa de que o Caso Celso Daniel seria finalmente esclarecido, pois a PF prendera alguém que sabia de tudo.

Só que não: o próprio Moro apressou-se a vir a público para dizer que o trabalho da PF se restringiria a descobrir as razões que levaram o amigo do então presidente Lula, José Carlos Bunlai, a dividir com Renan o empréstimo fraudulento que obtivera do Banco Schahim, de 12 milhões de reais.

Renan foi solto sem dizer uma palavra sobre sua participação no assassinato de Celso Daniel e nem as razões que o levaram a comprar o único jornal diário do ABC, numa época que a mídia impressa sequer representava um bom negócio.

FOI CHANTAGEM ?

Ainda em junho de 2016, escrevi em meu blog: “Esse dinheiro jamais teria sido repassado a Ronan sem ordem expressa de Lula. Releia este artigo e conclua junto comigo: Ronan conhece os mandantes do assassinato de Celso Daniel e Lula sabe que ele sabe”.

Não, já nesse caso Sérgio Moro fingia desconhecer os interesses reais da sociedade e mostrava seu lado carreirista e antipatriota.

Ora, estava com a faca e o queijo na mão, com pequeno esforço elucidaria um caso que até hoje intranquiliza a sociedade brasileira, pois os crimes não nascem carimbados com “eu pertenço à polícia tal ou à polícia tal”.

E mandou soltar Renan sem esclarecer nada !

A GRANDE OMISSÃO

Já no cargo de super-ministro empurrou com a barriga mais dois casos de interesse nacional: o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora e o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Santos (2018).

A situação de seu amigo, o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, tornou-se insustentável dia após dia com a indolência nas investigações em Juiz de Fora.

Cobrado insistentemente por Bolsonaro, Moro tinha a obrigação e o dever de demitir Valeixo há meses atrás.

A espera pela iniciativa presidencial e fazê-la acontecer durante a Pandemia cheira treta e golpe. Coisa de irresponsável e covarde.

COISA DE INIMIGO

Mesma coisa o caso Marielle.

Foi dado o tempo mais do que necessário para a polícia estadual resolver.

Ficou claríssimo para toda a sociedade brasileira que o mistério em torno do caso servia às oposições para desgastar o Presidente da República e isso é razão suficiente para que o Ministro transfira a investigação para a Polícia Federal.

O argumento insistentemente esgrimido por Moro de que a família da vítima não aceitava a federalização do caso é frágil para não dizer patético.

Em meio a esta pandemia fizemos grandes descobertas, inclusive enxergamos o verdadeiro rosto desse santo do pau oco chamado Sergio Moro.

Dirceu Pio

Dirceu Pio é jornalista com especialização em comunicação corporativa e empreendedorismo e embaixador de acessibilidade no Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

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