TODOS JUNTOS AGORA. SERÁ?

Por Márcio Scansani

Acordem. Hoje só existem dois lados: Bolsonaro, com todos os seus defeitos... ou, a Argentina é logo ali.

Eu estava com preguiça de escrever.

O Brasil dá preguiça.

Mas, reunindo alguma paciência a informações colhidas daqui e dali, tenho algumas conclusões, algumas óbvias, outras bastante particulares, a seguir.

Por menos que eu concorde com os métodos de Sara Winter ou com a personagem que ela criou para si (na verdade, não lhe presto muita atenção), ela estar presa e Lula, José Dirceu, Dilma et caterva estarem soltos é um escândalo – que adquire proporções acintosas quando se lê que ela foi transferida para uma prisão comum.

Tem mais: os que incitam violência e ódio reais estão soltos.

Os que destruíram o país estão soltos.

Os que mataram a cultura estão soltos.

Os que degradam a fé alheia ou os que expõe crianças às piores baixezas morais estão soltos.

Aquela constelação de petistas criminosos, todo mundo solto.

A bandidagem, sob a desculpa ridícula da exposição ao vírus chinês, está solta e, claro, já “trabalhando”.

Tudo isso é puro escárnio, e escárnio, creio que todos concordam, é desafio.

O STF avança sobre as competências e prerrogativas de outros Poderes sem qualquer constrangimento, tira parte do poder do presidente, na prática autoriza o crescimento de pequenos ditadores estaduais e municipais, mas a culpa da baderna é dele, Bolsonaro, tá?

Já o quadro de ministros, ficou tremendamente empobrecido com a exoneração de Abraham Weintraub, um dos mais combativos e mais sinceros.

Por mais que, pessoalmente, tenha achado péssima essa exoneração, que nem é preciso ser muito esperto para saber que foi causada por seu posicionamento – quem, sinceramente, é capaz de discordar dele? – em uma reunião que deveria ser restrita, e, portanto, em clima de divulgação de fofoca, nem quero imaginar qual foi o nível da pressão, da chantagem à qual Bolsonaro foi submetido para chegar a esse ponto.

Entende-se, porque a Educação é a área mais infiltrada, onde a esquerda fez o que quis durante décadas e fundamental para fechar o pacote de dominação.

Tenho dificuldade para entender é como isso pôde acontecer: a divulgação da reunião e o linchamento do ministro.

Tudo isso sob a fachada austera de estar em alinhamento com a Justiça, com aquelas expressões sérias.

Escárnio.

Deboche.

Mas onde eu quero chegar?

Aparentemente nem todos estão percebendo, porém esse negócio todo tem nome, como ensina Olavo de Carvalho há décadas: chama-se “estimulação contraditória”.

É o “Ministério da Verdade” de 1984 em pleno funcionamento: transforma cérebros menos avisados e menos preparados em geleia porque eles sabem que a massa simplesmente não entende que aquilo que está vendo sob a capa de “justiça” não tem nada de justo, mas se veio de fonte supostamente confiável, então é justiça; ou não?

Peraí, me deixa pensar.

Isso também explica porque não se vê na mídia nenhuma referência a essa dominação, já que eles nunca deram a devida atenção ao Foro de São Paulo – ao contrário, fizeram o que puderam para escondê-lo, só para ficarmos em um exemplo que Olavo também vem denunciando há décadas.

Isso significa que Bolsonaro teria finalmente cedido à pressão ou teria entendido que sem alguma negociação com o poder enraizado, ou o “governo clandestino”, não teria condições de fazer mais nada?

Não faço a menor ideia.

O fato é que o STF está esticando demais a corda.

Porque, em termos práticos, no caso do vírus chinês, o que eles fizeram foi partir a Federação ao tirar poder do presidente da República e outorgá-lo aos governadores, e no caso dos ataques a apoiadores do governo, na visão de um cidadão comum, foi simplesmente ignorar a Constituição e os direitos individuais, mas só de seus inimigos.

E o AGU continua lá, votando a favor de pautas que atendam ao STF.

Ao mesmo tempo, vejo gente até boa, teoricamente bem informada, com aquele discursinho “chega, não dá mais” ou “perdeu meu voto”, “ainnn, são petistas de sinal trocado” e, claro, deixando bem evidente que não está entendendo p***** nenhuma do que está acontecendo, que se trata de uma guerra cultural e, no limite, espiritual, que Bolsonaro está sendo atacado por todos os lados, que tudo isso vem sendo orquestrado há muito tempo, provavelmente desde antes de sua eleição, só que essa gente linda acha que seria tudo muito simples (caso Bolsonaro seguisse o que eles, essa gente linda pensa), porque ao ser eleito, ele teria ganho superpoderes para combater todo o establishment[1] só com a força de sua vontade, e só não o faz porque não quer ou porque tem outras prioridades.

Bom, eles podem escolher: tem o Ciro, a Marina (daqui a pouco ela acorda), tem o Doria, olha que legal.

Tem até o poste de novo.

Ou – porque não? – o próprio Lula.

Seria a glória dos isentões, que gritariam que a democracia se fez ouvir, mas que eles continuam acima desses valores tão mundanos. Fiquem à vontade, qualquer um desses serve para trazer o trem da alegria de novo.

Só que se eles voltarem, estejam certos que virão com sede de vingança e, vacinados, nunca mais cometerão os mesmos erros e jamais deixarão o poder – não por bem, e muito menos “democraticamente”, mesmo com seu (deles, lá) conceito de “democracia”, totalmente distorcido[2].

Essa gente linda nem teve a ideia de olhar para a Argentina, onde o governo agora partiu para o confisco de automóveis cujos donos circulem sem autorização, onde a população já se manifesta, mas é tarde porque eles, estupidamente, devolveram ao poder os mesmos que os colocaram naquela situação calamitosa por falta de opção, e a desculpa é a mesma daqui: o combate a um vírus (chinês) de letalidade baixíssima.

Os conservadores de lá avisaram o que iria acontecer.

O povão, bombardeado por uma imagem desconstruída de Macri, caiu na armadilha e elegeu os bandidos que prometiam o futuro redentor que todo socialista promete e que está sempre naquele futuro que nunca chega.

Espero que Bolsonaro não cometa o mesmo erro de Macri, porque eu não cometerei o mesmo erro de muitos argentinos – e brasileiros, o de começar a criticá-lo por tudo que faça, engrossando o caldo dos ataques da esquerda.

Pensando bem, muito estranho seria se o Foro de S. Paulo não se articulasse para defender seus filhotes, tão logo compreendesse qual o tipo de caminhão os tinha atropelado.

Ou alguém acha que esses ataques, todos ao mesmo tempo, todos sendo “evoluções” de tudo que passaram 2019 inteiro tentando fazer sem sucesso – e acumulando experiência – são todos coincidentes?

É coincidência a múmia FHC reaparecer no jogo político logo agora?

Trocando em miúdos, os papéis se inverteram e agora os conservadores é que devem entender qual foi o caminhão que os atropelou e fazer o que a esquerda fez: articular-se e responder.

O FSP defendeu seus filhotes na Argentina, venceu e está fazendo a mesma coisa aqui, como Olavo – sempre ele – nos avisa, de novo:

Parece óbvio dizer, mas observando o caso acima, vemos que há quem não perceba que são só os apoiadores do governo que são perseguidos, só eles que são presos e têm suas vidas devassadas.

Os apoiadores do – por falta de termo melhor – establishment, estão lindos, leves e soltos.

Juram que vocês não percebem nada de estranho nisso?

Mesmo?

O Brasil causa mesmo um tédio insuportável.

Novamente: não sejamos como crianças, não julguemos as coisas por nossas opiniões a respeito de pessoas.

Gostar ou não gostar de Bolsonaro é absolutamente irrelevante. O que eu considero a respeito dele, certamente é totalmente irrelevante, e o que você, que lê essas linhas, acha dele, também é. Interessa é o que ele representa.

Acordem.

Hoje só existem dois lados:

Bolsonaro, com todos os seus defeitos, mesmo tendo cedido à pressão para despachar um de seus ministros mais emblemáticos, ou o velho establishment de volta.

[1] Câmara dos Deputados com seu Centrão fisiológico, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal, com o apoio luxuoso da mídia enragée engajada e com apoio discreto dos empresários globalistas de sempre.[2] Para maiores informações sobre as distorções do conceito de “democracia”, ver os artigos do prof. José Stelle, nessa mesma Tribuna.

Márcio Scansani

Editor da Armada

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