Estupro, aborto: as leis tem que mudar

O caso da menina do Espirito Santo mostra o quanto as leis brasileiras estão atrasadas

Estuprador confesso, com um passado que inclui prisão em 2010 por tráfico de drogas, posse ilegal de armas de fogo e foragido de uma ‘saidinha’ em 2014, o tal de R.H tem merecido um tratamento benevolente da mesma imprensa que usou a informação irresponsável de Sara Winter e divulgou nome e endereço da menina de 10 anos vítima de abuso sexual.

Ninguém divulga o nome do indivíduo, estranho raciocínio de uma imprensalha agora cheia de pudores.

A ‘simpatia’ dos escribas de aluguel por criminosos hediondos -’pobres vítimas de uma sociedade capitalista’- não é nova.

Vai desde a proteção à monstros como Champinha até o apoio incondicional aos alienados das entidades de Direitos Humanos, empenhados sempre em suavizar a vida de bandidos e se esquecendo completamente de suas vítimas.

O caso da menina de dez anos estuprada pelo tio durante 4 anos, seguidamente, não é inédito e acontece frequentemente.

Com muito mais frequência do que aqueles que fecham os olhos gostariam.

Só em 2018, o Brasil registrou a execrável estatística que mostra uma realidade dura: foram 66 mil casos de estupro naquele ano.

Destes, mais da metade -53,8%- contra meninas de até 13 anos de idade.

Pior: sabe-se que, em casos de estupro, 99% dos criminosos saem da parada impunes e prontos a cometer o mesmo crime novamente.

Caso recente de um deles que saiu beneficiado pela abominável ‘saidinha’ e em apenas algumas horas estuprou e matou uma moça em um dos bairros de São Paulo.

A triste situação dessa menina -violentada e grávida- traz consigo reflexões que envolvem duas legislações brasileiras anacrônicas: a lei do estupro, de 2009, e a que regula o aborto, de 1984.

E envolve também a gritaria inconsequente de feminazis, anti-abortistas radicais, religiosos miolo mole e toda uma fauna de palpiteiros alienados.

A lei brasileira sobre aborto é clara, apesar de antiga, e prevê sua legalidade em 3 situações: em caso de estupro, quando existe risco de vida à mulher e em casos de fetos anencefálicos.

Mesmo assim, e contra todo o bom senso ou lógica, há o berreiro nas redes sociais dos que abominam o aborto e defendem a manutenção da gravidez de uma menina de apenas dez anos, estuprada e grávida do próprio tio.

Sobre esse hipócritas de plantão, só nos resta imaginar qual seria sua opinião à respeito se a vítima fosse sua própria filha.

Não se sabe exatamente quantos abortos são realizados no Brasil atualmente, ilegais ou legais.

Calcula-se -e tenho lá minha dúvidas- em cerca de 100 mil por ano.

Seja com for, e independente de polarizações ou posições ideológicas e políticas, há que se ter bom senso e não radicalizar jamais em relação a casos delicados como esses, que envolvem a vida futura e pregressa de crianças e mesmo de adultos, traumatizados por situações de extrema violência.

Não se pode ser, simplesmente, contra ou a favor do aborto.

Ou de pena de morte -como querem muitos- contra estupradores.

O maniqueísmo -bem ou mal, preto ou branco- nesses casos, é burro e hipócrita, pois é cego em relação às dezenas de variantes nesses casos.

As leis brasileiras, brandas e frouxas demais, devem ser atualizadas para nossa realidade, ou esse tipo de situação vai piorar, banalizando cruelmente a vida humana.

A menina do Espirito Santo está viva, felizmente.

Caso raro atualmente em casos de estupro.

Aliviada com a prisão do tio, pode realizar um velho sonho: o de comer um hamburguer de um restaurante fast food.

Que se recupere e supere tudo isso, se o STF não soltar o tio numa ‘saidinha’ um dias desses, como costuma fazer.

E o canal da irresponsável Sara Winter, que divulgou seu nome e endereço está -justamente- limado definitivamente do You Tube.

O contraponto desta semana -uma notícia boa- fica por conta da recepção feita por Sergipe ao presidente dos brasileiros, Jair Bolsonaro, coisa só vista na campanha de 2018.

Veja conosco o video:

O Brasil precisa mudar.

Ser leniente ou cego à essas situações também é crime.

A legislação precisa mudar.

Que os juristas se movimentem, longe da hipocrisia de costume.

Afinal, é a hipocrisia políticamente correta a responsável por essas tristes estatísticas.

E, em última análise, pela dor dessa e de milhares de outras meninas.

Fosse a lei dura, grande parte de casos como esses não existiriam.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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