Coringa

Não dá pra ficar impassível

Não é a primeira vez que o cinema, além de entreter, assume um papel social qualquer.

Basta lembrar da Segunda Guerra, quando eram produzidos filmes americanos e alemães para levantar a moral dos povos.

O Coringa de Todd Phillips e Joaquin Phoenix, entretanto, vai bem além disso.

A interpretação de Phoenix é espantosa.

Phoenix emagreceu 23 quilos para o papel e acaba atingindo, como um soco no estômago, todos aqueles que um dia se sentiram humilhados, espezinhados, injustiçados ou, como o próprio personagem declara: (...)não tive sequer um minuto de felicidade em toda a vida.’

Com maior ou menor intensidade, acaba atingindo 99% da população do planeta.

O anonimato da miséria, uma vida sem sentido e a crueldade dos centros urbanos que massacram o indivíduo são colocados na tela sem perdão por Phoenix.

Essa é a grande violência contida no filme.

Não a violência física.

Mas é forte, incrivelmente verdadeiro.

Nisso está o grande mérito de Coringa.

E o grande perigo.

A justiça -inesperada e irônica- que chega ao homem que não é o estereótipo do mal, mas apenas mais um numa multidão de massacrados pelo sistema, é uma alusão clara à uma sociedade pirada que cria seus heróis sem critério e sem discernimento.

Heróis como Guevara, por exemplo, assassino louco que acabou virando ídolo...e camiseta.

O perigo de Coringa é justamente esse: a enorme identificação que gera com o público e sua negação de estereótipos maniqueístas do bem e do mal.

Retratar a transformação -e a piração- desse homem, apenas mais um entre milhões, foi a façanha conseguida por Phoenix.

Assim como o Coringa de Ledger, marcará a história do cinema.

Não dá pra ver Coringa e ficar indiferente.

Coringa já ganhou um Leão de Ouro.

Vai ganhar mais.

Sobre Phoenix: Além de ator e músico, Joaquin Phoenix é um ativista social que apoia várias instituições humanitárias e de caridade.

É um dos diretores da The Lunchbox Fund, organização sem fins lucrativos que fornece refeições diárias a estudantes de escolas de Soweto, na África do Sul.

É conhecido também por sua defesa dos direitos dos animais, é vegano desde pequeno e faz campanhas para a In Defense Of Animals.

Começou no cinema em 1986, com SpaceCamp, e uma das atuações em que ficou conhecido no Brasil foi ao interpretar Commodus no épico Gladiador, de 2000.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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