O valor do dinheiro

Por Dirceu Pio

É tanto roubo, tanta sacanagem, tanta discussão em torno do monstruoso rombo da Previdência que começamos a perder a noção do valor do dinheiro.

E é preciso resgatá-la depressa porque sem ela cometeremos grandes injustiças !

Vou tentar ajudar: comecemos por registrar que neste instante – início da tarde deste domingo, 06 de outubro – um dólar comercial compra exatamente 4,06 reais !

Pois bem: voltemos ao início deste século e lembremos que o PT – Partido dos Trabalhadores chegou finalmente ao topo do poder com a eleição a presidente da República de seu grande líder, o operário metalúrgico e líder sindical, Luiz Inácio LULA da Silva.

A mulher que seria eleita para sucedê-lo oito anos mais tarde, Dilma Rousseff, já havia sido sua ministra das Minas e Energia e agora estava instalada em dois postos importantes do governo petista – ministra em chefe da Casa Civil da Presidência da República e presidente do Conselho Administrativo da Petrobras.

NÃO INTERESSAVA LUCRINHO

Digamos que um empresário estrangeiro, um dos homens mais ricos do planeta, que fora introduzido à Corte Brasileira por Dilma Rousseff, aproxima-se da cúpula do governo brasileiro para informar que possuía nos EUA uma refinaria, já meio sucateada, mas que depois de uma boa garibada, poderia voltar a funcionar sem problemas.

Ele havia comprado a “quase sucata” pela bagatela de 45 milhões de dólares – ou 180 milhões de reais - e poderia vendê-la à Petrobras por “um precinho bem camarada!”

Comecem a calcular: se a Petrobras tivesse comprado o equipamento por 50 milhões de dólares, o empresário-amigo-da-Corte teria lucrado 5 milhões de dólares ou 20 milhões de reais...ótimo negócio, não?

Pagaria de comissão a Lula e a Dilma uns cinco milhões de reais e embolsaria 15 milhões.

PASMEM, SENHORAS E SENHORES

Só que não ! A sucata existiu !

É Pasadena, nos EUA.

E o empresário bilionário-amigo-da-Corte-Brasileira também existiu: é o bilionário belga Albert Frère, o dono da Astra Oil, entre tantas de grande porte do setor energético mundial, império que inclui a Tractebel com várias operações no setor energético em Santa Catarina, Brasil.

Agora, pasmem ! Sabe quanto a Petrobras pagou pela sucata em duas operações sucessivas – ambas aprovadas pelo seu Conselho Administrativo ?

Um bilhão e 300 milhões de dólares ou quatro bilhões e duzentos milhões de reais.

Pasadena, herança vergonhosa de Dilma Roussef

Vamos repetir: por uma sucata que valia quando muito 50 milhões de dólares, a Petrobras, com intermediação de Dilma e Lula (chic, não ?), pagou em dinheiro vivo nada menos de um bi-lhão e 300 mi-lhões de dólares ou o equivalente a quatro bilhões e 200 milhões reais.

USEMOS O CARRO COMO MOEDA

E assim, com essa impetuosidade financeira, Lula e Dilma iriam permanecer no topo do poder por mais quase 15 anos.

Pasadena, digamos, foi apenas para molhar o bico já no início da jornada.

Em seguida veio o Mensalão, depois o Petrolão, vieram as obras superfaturadas, a conta-corrente de ambos na Odebrecht, na J&F, na OAS e para fechar com chave de ouro o grande esbulho, veio o monumental saque aos recursos do BNDES que o ex-ministro de Lula e Dilma, Antonio Palocci, calcula haver ultrapassado a casa de 500 bilhões de reais (eu disse, qui-nhen-tos-bi-lhões-de-re-ais !).

Sugiro agora que, para melhor entender o valor do dinheiro, pensemos em que, com um milhão de reais, você compra 20 carros populares a 50 mil reais cada um; com um milhão de dólares, você compra 80 carros do mesmo valor.E com um bilhão de reais você compra nada menos de 20 mil carros de 50 mil reais cada; e com um bilhão de dólares, você compra 80 mil carros.

HAJA CARRO

Considere ainda que as empresas de Lulinha, o primogênito de Lula, todas empresas de fachada segundo se apurou ainda em 2017, faturaram no biênio 2015/2016 nada menos de 320 milhões de reais, valor que serviria para comprar uma frota de 6.400 carros populares a 50 mil reais cada um.

O dinheiro que Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer, que foi vice de Lula pela longeva coligação PT/MDB, guardava em malas num apartamento de Salvador serviria para comprar 120 carros populares e os 500 mil reais que Rodrigo Rocha Loures levava numa só mala serviria para comprar 10 carros populares.

QUEIMANDO 120 MIL CARROS POR ANO

Há vários estudos que tentam quantificar o dinheiro roubado de praticamente todas as atividades governamentais (saúde, educação, merenda escolar, energia, petróleo, energia nuclear, transporte, obras públicas, previdência, programas sociais, etc, etc, etc), mas o mais confiável veio do MPF (Ministério Público Federal), que calculou que durante a Era PT foram desviados dos cofres públicos cerca de 200 bilhões de reais por ano.

Para usar a mesma metáfora, seria como botar fogo no final de cada ano, no período iniciado em 2003 e só concluído em 2018, em nada menos de 120 mil carros populares no valor de 50 mil reais cada um.

Que economia poderá se desenvolver com um rombo anual desse porte ?

E AINDA FALAM EM QUEIROZ

Lembremos, por último, que a corrupção começou a ser combatida com mais vigor com o surgimento da Lava Jato, em Curitiba, em 2014.

E temos hoje, em 2019, o primeiro governo que ainda tenta tirar o controle do dinheiro das mãos de organizações criminosas que tornaram a corrupção sistêmica.

E é nesse clima de guerra contra a corrupção que as forças deletérias tentam transformar o caso Fabrício Queiroz num caso ultra-super importante.

Dá nojo, indignação, revolta ouvir as vozes clamorosas contra Fabrício Queiroz em cuja conta bancária foram encontrados – se é que foram mesmo – depósitos de um milhão e duzentos mil reais, valor que permitiria a compra de 24 carros populares de 50 mil reais cada um.

Ainda não se sabe:

1) – se o valor era esse mesmo, há informações de que os relatórios do Coaf, de onde o número foi retirado, somaram indevidamente entrada e saída do dinheiro, de modo que o valor pode não ter passado de 600 mil reais, o que permitiria a compra de apenas 12 carros populares.

2) – se o dinheiro é resultado de alguma atividade ilícita...

3)- se existe – ou não – o dedo de Renan Calheiros na divulgação, pois Fabrício Queiroz foi assessor do filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que, eleito senador pelo Rio de Janeiro já se opunha ao seu retorno à Presidência do Senado...

Dirceu Pio

Jornalista

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