Bolsonaro vai se mandar do PSL

Com ele, devem sair cerca de 20 parlamentares

Nesta quarta (9), Bolsonaro avisou deputados e seus advogados de que deixará o PSL.

Demorou.

Estar no PSL já é desconfortável para Bolsonaro desde que a sigla foi acusada de candidaturas laranjas, que acabou com a queda do informante Gustavo Bebianno, ex chefe da Secretaria Geral.

O presidente do partido, Bívar, é investigado pela Policia Federal pelo suposto desvio de 400 mil de verba eleitoral, o que aumenta o problema.

Criado em 1998 por Bivar, o PSL nunca teve expressão política significativa.

Até 2018, quando Bolsonaro ingressou no partido e venceu as eleições para presidente.

Com essa vitória, o PSL deu um salto e se transformou na sigla mais votada de 2018.

Elegeu a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados.

Com a vitória e com Bolsonaro veio a grana.

Se em 2018 recebeu apenas 9 milhões do imoral Fundo Partidário, neste ano a cifra será a número um entre a politicalha: 110 milhões.

E a previsão é a de que receba até 500 milhões em 2020, se a politicalha corrupta conseguir aumentar a cifra como pretende.

Na verdade, o que parece estar em jogo é a grana mesmo, os 110 milhões que o PSL vai receber até o final do ano.

Em relação ao PSL, a crítica comum e recorrente é a da falta de transparência na aplicação de recursos públicos e o do autoritarismo de Luciano Bivar em sua gestão.

Escândalos como o de Maria de Lourdes Paixão, que recebeu a terceira maior verba do PSL em todo o país e teve apenas 274 votos também empurram Bolsonaro para fora.

Bolsonaro, que sempre defendeu a bandeira da ética e da transparência, exigiu isso do partido.

Mas, sob a gestão autoritária de Bivar e sem a promoção de eleições democráticas para mudança de estatuto ou escolha de dirigentes, o conflito era inevitável.

E parece ter chegado ao fim, com a saída de Bolsonaro.

Com ele, devem sair cerca de 20 parlamentares.

Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro são os primeiros, seguidos pela ala fiel ao presidente, como o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, Bia Kicis, Carla Zambelli, Hélio Negão e Bibo Nunes.

Esse é o problema a ser enfrentado por eles: a desfiliação partidária e suas consequências junto ao TSE, que pode incluir perda de mandato.

Seja como for, a saída é positiva para Bolsonaro.

Para o PSL, turbinado única e exclusivamente agarrado à imagem do presidente, nem tanto.

Mas tem seu consolo.

Afinal, vai embolsar feliz a grana imoral do Fundo Partidário.

Como muitos, surfou enquanto pôde na onda Bolsonaro.

Que aproveite.

Sem Bolsonaro, em breve vai retornar à suas origens.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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