Boomer: conflito de gerações

Há alguns dias, na correria, fui comprar os ingressos para assistirmos Coringa.

Entrei no site do Cinemark, um verdadeiro exercício de paciência naquele site confuso e ruim, e acabei sendo cobrado duplamente pelos ingressos.

Cancelei imediatamente mas o site nem ligou, e alegremente debitou os valores duplicados em meu cartão.

Como se tratavam de muitos ingressos, o prejuízo foi grande, e nada do Cinemark cancelar.

Eficiência espantosa.

Pedi a meu filho, que assistiu comigo ao filme, que passasse lá e resolvesse pra mim, já que nem o atendimento telefônico do Cinemark funciona.

Ele me disse que não iria, e que a culpa era minha -que fico confuso com tecnologia- e não da incompetente rede de cinema.

E ainda por cima de chamou de boomer.

Como não tenho a menor ideia do que seja boomer, desconsiderei o comentário do ingrato, esperando que não seja nada ofensivo.

Naturalmente não posso ser um boomer se nem sei o que é.

Claro.

Não foi a primeira tijolada que recebi de meu amado filho, que jamais foi capaz de reconhecer que ensinei a ele tudo o que sabe de tecnologia.

Confuso, eu?

Lembro bem de certa madrugada, há muitos anos, eu e ele viajando sozinhos dentro do carro, estrada deserta, silêncio absoluto, nem rádio ligado.

Eu havia acabado com uma namorada recentemente (o de sempre), e comentei dentro do carro, quase para mim mesmo:

-Cara, acho que preciso arrumar uma namorada…

Meu filho, uns dez anos, respondeu na lata:

-Pai, isso não vai dar certo...você já tá muito velho.

Tentei assimilar o comentário.

Silêncio absoluto de novo no carro, só o barulho do motor.

E a dúvida esculhambada veio fatalmente:

Será?

Muitos anos depois, comentando o fato com a namorada dele, ela aproveitou pra comentar, de novo na lata:

-Acho que você tem que pensar nisso...ele pode ter razão.

Dois pentelhos ingratos.

Assim, vou descobrir o que é boomer e pensar, na sequência, no que vou dar a esses dois no Dia das Crianças.

Embora, reconheço, comprar ingresso em site de merda não seja meu forte.

Sei que essa não é nem de longe a forma politicamente correta de desejar um feliz Dia das Crianças mas afinal, nunca fui politicamente correto mesmo.

E, claro, amo esses dois, apesar de me arrepender em alguns momentos de ter ensinado a meu filho a acreditar no que pensa e -sempre- defender isso.

Assim, confuso aqui com meu teclado, e igualmente com o fato do tempo ter passado tão rápido -vocês já não são crianças- comemoro com vocês seu dia.

E, se precisarem de uma dica sobre computador e tecnologia, não se esqueçam:

Papai ensina.

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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