Piano

Saio de um lugar qualquer.

Manhã de sol, mas eu não vejo.

Sento na moto, preocupado com as coisas que sempre me preocupam...

Não saio, acendo um cigarro, preguiçoso, adio por uns momentos o lance de enfrentar as coisas que sempre me preocupam...

Viajo, não vejo o transito, o olhar muito, muito longe...

Do meu lado, quase encostado, sobe numa dessas motinhas 125 ou 150 um crioulo simpático, alinhado...

Olha pra mim, me cumprimenta, óculos muito preto dentro do capacete, grande sorriso, um piano muito branco, muito alinhado...

Sorrindo ainda, dispara:

-E aí, meu, vamos tirar um racha?

Desço das nuvens, damos risada juntos...

Ainda sorrindo, ele se despede de mim, eu dele, e vamos devagar, cada um no seu caminho...

Mas eu saio sorrindo também, mais leve agora, me divertindo com aquele piano muito, muito branco...

Ganhei a manhã.

*Publicado originalmente em setembro de 2011

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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