Meu Prêmio Pullitzer

Por Junia Turra: JR Guzzo escreve além da letra fria do fato ou a secura do argumento.

Ainda não encontrei palavras para agradecer o meu "Pulitzer" .

Recebi há pouco, no domingo 29 de setembro.

Veio em forma de texto.

Texto direto, bem escrito, o elogio no ponto.

Sem adjetivações que fogem do papel de "complemento" .

It was an unique compliment!

Não eram meras palavras.

E tinham destinatário certo.

Eu!

Li em voz alta.

Fechei os olhos emocionada.

E pensei nos bons textos.

Os bons , que cada vez se tornaram mais escassos e que o meu pai recortava dos jornais e revistas e me enviava pelo correio onde quer que eu estivesse.

Crônicas , artigos, reportagens.

No meio deles , quantos textos recebi de quem me enviou a "nota do Pulitzer".

Meu pai foi jornalista , virou juiz, concursado, foi a desembargador, por mérito.

Era um estudioso das leis, um jurista.

Mas funcionário público , ciente de que era o povo que o pagava .

Dispensou o carro com motorista , ia com o próprio e pagava o estacionamento.

O que recebia de comida no Tribunal ele colocava numa sacola e todos os dias distribuía aos que ali estavam ali no caminho dele até o estacionamento.

Era do povo e não dele, dizia.

Ganhou por anos consecutivos o prêmio de Melhor Juiz do ano

E no discurso repetia à "Corte de Justiça":

"Eu não estaria aqui se o prêmio fosse político.

Mas o computador tem sido correto.

Todos os processos foram zerados".

Poucos são aqueles que se entregam ao que fazem por amor a causa e não ao que virá em benefício pessoal.

É alcançar por mérito e não mera indicação.

Assim , é o grande jornalista que me escreveu a nota do Pulitzer .

E que assumiu a Revista Veja, na mais alta posição.

Por mérito!

"E foi o momento mais marcante", ele me disse.

E foram 50 anos e vieram as colunas tão aguardadas pelos leitores e a Veja alcançou um milhão de exemplares vendidos.

Mas a coluna da desta semana que todos os leitores aguardavam foi vetada .

Era sobre a Suprema Corte de Justiça.

A imprensa que deforma veta quem informa e garante a supremacia da injustiça.

São os exemplos que inspiram as gerações.

Pessoas que não vem nesse mundo a passeio.

Que grande jornalista é você , JR Guzzo!

Alguém que escreve e domina a técnica como poucos, sabe dar forma as palavras , reuni-las , transformá-las na informação que é decodificada e atinge o leitor no alvo.

Tiro certeiro para fazer cérebros funcionarem e despertar os já enferrujados.

Que grande mestre é você, Guzzo!

Num mundo em que todos sabem tudo, mestres como vc tem a humildade e a alegria de aplaudir, incentivar e engrandecer os aprendizes , como eu.

Sabem reconhecer a importância da "palavra".

A que constrói é para os grandes.

A que destrói cabe aos medíocres.

JR Guzzo escreve além da letra fria do fato ou a secura do argumento.

Dá alma as letras e as reúne em sinfonia.

Sim , escrever é uma arte.

Para poucos.

Vou guardar pra sempre a que você escreveu pra mim e vou aguardar sempre junto a outros milhares de leitores o seu próximo texto

Junia Turra

jornalista

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