Brasil, o país dos espertos

Em terras tupiniquins, o infeliz provérbio chamado de ‘lei de Gerson’ faz parte do imaginário popular

Assisti ontem a uma série sobre o sistema de justiça penal norte americano.

Baseada num acontecimento real, conta a história de uma menina de 16 anos acusada de falsa acusação de estupro.

No final, como sempre, vence a justiça, a ética e o bom senso.

Nada de novo, só uma obra de ficção.

Será?

Na realidade, longe das telinhas do cinema, a vida é bem diferente, dizem os ‘espertos’.

Se dá bem quem rouba, pratica corrupção, recebe propina…

Não à toa, aqui em terras tupiniquins, o infeliz provérbio chamado de ‘lei de Gerson’ faz parte do imaginário popular há décadas:

‘O importante é levar vantagem em tudo.’

Essa percepção, cravada no sistema e na mente dos brasileiros há muito (talvez desde quando a primeira caravela chegou ao Brasil, como dizem os mais pessimistas), é o lema dos ‘espertos’, que olham com desdém os pobres ingênuos que insistem ainda em acreditar em justiça e num mundo longe da fedentina da corrupção.

Acreditar no que afirmam os ‘espertos‘ não é nada difícil, num país assolado por uma suprema corte corrupta e numa politicalha especializada -em sua maioria- em propinas, compra e venda de parlamentares, superfaturamentos, licitações fajutas e muito mais.

E a propina, famosa propina que abre todas as portas, facilita tudo e faz o impossível?

Mas será que acreditar em justiça é mesmo uma ingenuidade?

A corrupção sistêmica (especialmente a praticada em níveis estratosféricos como foi a dos governos do embusteiro luladasilva) tira grana da sociedade.

Beneficia apenas e imediatamente quem a pratica e seus asseclas.

Entretanto, a curto, médio e longo prazo, retira do sistema financeiro o dinheiro que seria utilizado em educação, saúde, pesquisa e desenvolvimento do sistema industrial e comercial.

Países corruptos têm também maior dificuldade em relacionamento comercial com o resto do mundo, deixando de receber investimentos.

Quem investiria afinal num sistema que é uma bandalheira?

Quando deixa de receber recursos e cessa o investimento, inclusive de empresários do próprio país, aumenta o desemprego, a grana some das ruas, a indústria e o comércio andam pra trás.

Em última análise, a corrupção só resolve e enche os bolsos dos próprios corruptos.

De resto, só atrasa os países onde existe, financeira, cultural e socialmente.

O exemplo claro do limite da miséria absoluta a que pode levar é a Venezuela, satélite da socialista Cuba e dominada por um governo de narco traficantes.

Será que ser ‘esperto’ é ser mesmo inteligente?

Ou será que é a demonstração de uma burrice galopante, sem cura?

A tal ‘esperteza’ dos cínicos e isentões que traz agregada em seu DNA a corrupção e o atraso não tem mesmo nada de ‘esperta’.

Enfim, a tal ‘ficção’ da série que defende a justiça verdadeira me trouxe um gosto amargo, o da vergonha da justiça deste país.

Como sempre.

Sensação de todos os brasileiros que trabalham.

O Brasil está na 105a. posição no índice de corrupção, coisa vergonhosa.

Abaixo do Uruguai.

Desde 2016, o índice piora, apesar da Lava Jato.

Mais corruptos que o Brasil -lá embaixo da lista- estão países como a Somália, Sudão do Sul, Síria, Coréia do Norte e Iêmen.

Não são mesmo símbolos de prosperidade, não é mesmo, espertos?

Aliás, não são nada mais do que a elegia deprimente do atraso, da vagabundagem e da incompetência de quem quer ganhar grana no mole, na maracutaia, na propina.

E sinônimo de países estagnados.

Sem justiça social verdadeira -a que retira da sociedade essa praga que são os corruptos- não há desenvolvimento.

‘Levar vantagem em tudo,’ acaba sendo um lema pobreta de um povo que não leva vantagem em nada.

Então, a pergunta que fica:

Quem é mesmo o ingênuo aqui?

marcoangelifull

publicitário, artista plástico e cidadão

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